
As cidades de Maputo e Matola viveram ontem momentos de grande turbulência, quando populares e oportunistas se manifestaram de forma violenta, a pretexto de protestarem contra a subida das tarifas do transportes semi-colectivos de passageiros, que ontem mesmo deveria entrar em vigor. Em vários locais foram erguidas barricadas com troncos, pedregulhos, carcaças de carros e outros materiais, ao mesmo tempo que eram queimados pneus na via pública e destruídas viaturas, montras e bancas de vendedores ambulantes. As duas urbes ficaram paralisadas, e os “chapas” não puderam circular.
A Polícia, com um efectivo considerável, foi chamada a intervir, lançando mensagens de apelo ao fim da violência, disparando balas de borracha e lançando gás lacrimogéneo, quando a situação assim o impôs, mas a situação manteve-se durante todo o dia.
A Portagem de Maputo, assim como vários estabelecimentos comerciais, de ensino e outras foram encerrados, com o receio de ocorrência de actos de vandalismo e pilhagem, como, aliás, chegou a acontecer em alguns casos. Foram pilhados bens em lojas, padarias e em pelo menos num posto de abastecimento de combustível, situado no ângulo entre as Avenidas Joaquim Chissano e Acordos de Lusaka.
A turba de manifestantes, maioritariamente constituída por gente de conduta duvidosa e crianças emocionalmente levadas a participar nos actos de vandalismo, chegou a virar do avesso e incendiar uma viatura-patrulha da Polícia no bairro Zona Verde. Na cidade de Maputo, um indivíduo morreu e outros 44 contraíram ferimentos de diversos graus. Cinco agentes da Policia ficaram feridos na Matola.
Neste movimento, saltou à vista a forte presença entre os manifestantes de crianças e jovens, entre pequenos exércitos de desempregados e gente de conduta duvidosa que, a dado momento, se apresentavam como cabecilhas da manifestação. Foram eles que em determinadas ocasiões protagonizaram cenas de vandalismo e alguns até empunhando varapaus e instrumentos de natureza contundente, para deliberados actos de violência.
O conjunto de transtornos produtos desta alteração da ordem pública estenderam-se igualmente ao adiamento de dezenas de funerais. Como consequência ainda destes tumultos, alguns sectores de actividade funcionaram ontem a meio-gás, com lacunas no quadro do seu pessoal, uma vez que alguns trabalhadores ficaram inesperadamente desprovidos dos seus habituais serviços de transporte de casa para os locais de trabalho. Um outro sector bastante afectado pelos tumultos foi o da Educação, que praticamente esteve encerrado, porque os alunos e os professores não tinham conseguido transporte para se apresentarem nos estabelecimentos de ensino.
Fonte: Noticias
Comentário: É impressionante! O que salta à vista com esta noticia é que a manifestação foi protagonizada por oportunistas e vandalos. Não se comenta e nem se refer a justeza da “reação” das populações. Nem o facto deste povo nunca ter sido ensinado a manifestar de modo cívico, sem o risco de se ser preso (ex: Manifestação defronte do Parlamento) ...