Este blog predende ser acima de tudo, um meio para perpectuar vivências. É o meu mural de experiências, a maioria banais mas importantes quando avaliadas no contexto do meu dia a dia. Com um estilo descontraído, o Machangana das Arabias emprega uma espécie de humor e ironia para relatar momentos, histórias, choques culturais e matar saudades de outras épocas e lugares. É contra-indicado por isso aos insensíveis à nostalgia
terça-feira, 21 de agosto de 2007
21/08/2007 Putos de outros tempos
De acordo com as leis de hoje, todos nós que nascemos nos anos 50, 60 e 70 não devíamos ter sobrevivido até hoje, porque os nossos caminhos de bebé eram pintadas com cores bonitas em tinta á base de chumbo que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos. Não tínhamos frascos de medicamento com tampas “à prova de crianças” ou fechos nos armários e podíamos brincar com as panelas. Quando andávamos de bicicleta, não usávamos capacetes. Quando éramos pequenos viajávamos em carros sem cintos e airbags e viajar á frente era um bonus bem-vindo.
Bebíamos água da mangueira no jardim e não da garrafa e sabia bem.. Comíamos batatas fritas, pão com manteiga e bebíamos coisas com açúcar, mas nunca engordávamos porque estávamos sempre a brincar lá fora. Partilhávamos garrafas e copos com os amigos e nunca morremos disso. Passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentos e depois andávamos a grande velocidade pela rua abaixo, para só depois nos lembrarmos que esquecemos de montar uns travões.
Saíamos de casa de manhã e brincávamos o dia todo na vizinhança, desde que estivéssemos em casa antes de escurecer. Estávamos incontactáveis e ninguém se importava com isso. Não tínhamos Play Station, X Box. Nada de 40 canais de televisão por cabo, filmes de vídeo, home theatre, telemóveis, computadores, DVD, chat na Internet. Tínhamos amigos - se os quiséssemos encontrar íamos á rua. Jogávamos ao “Polícia-Ladrão”, ao “Já” e um montão de jogos de bola até ficarmos com dor! Empoleiravamos nos carros que passassem pela nossa rua.
Caíamos das arvores, cortávamo-nos, e até partíamos ossos mas sempre sem processos em tribunal. Havia lutas com punhos mas sem sermos processados. Batíamos ás portas e “roubavamos” no pomar dos vizinhos e fugíamos. Tínhamos mesmo medo de sermos apanhados. Iamos a pé para casa dos amigos. Acreditem ou não íamos a pé para a escola; não esperávamos que a mamã ou o papá nos levassem. Criávamos jogos com paus e bolas. Se infringíssemos a lei era impensável os nossos pais nos safarem, eles estavam do lado da lei. Chegavamos a apanhar com o cinto.
Esta geração produziu os melhores inventores e desenrascados de sempre. Os últimos 50 anos têm sido uma explosão de inovação e ideias novas. Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade e aprendemos a lidar com tudo isso.
És um deles? Parabéns! És um dos que tiveram a sorte de crescer como verdadeiras crianças, antes dos governos regularem as nossas vidas, “para nosso bem”. Para todos os outros que não têm idade suficiente pensei que gostassem de ler acerca de nós.
Isto meus amigos é surpreendentemente medonho... e talvez ponha um sorriso nos vossos lábios: A maioria dos que nasceram depois de 1986, chamam-se jovens. Nunca ouviram “We Are The World” e “Uptown Girl”. Conhecem Westlife e não Billy Joel. Nunca ouviram falar de Rick Astley, Bananarama ou Belinda Carlisle. Para eles sempre houve uma Alemanha e um Vietname. SIDA sempre existiu. Os CD's sempre existiram.
Acreditam que o Michael Jackson sempre foi branco. Para eles o John Travolta sempre foi redondo e não conseguem imaginar que aquele gordo fosse um dia o deus da dança (lembram-se do Saturday Night Fever?). Acreditam que Missão Impossível é série do ano passado. Não conseguem imaginar a vida sem computadores e nem acreditam que houve televisão a preto e branco.
Agora veja como estás a ficar velho. Sim, senão vejamos: - entendes o que está escrito acima e sorris - precisas de dormir mais depois de uma noitada - todos os teus amigos estão casados ou compremetidos - surpreende-te ver crianças tão á vontade com computadores e telemóveis - lembras-te com saudade das primeiras aventuras amorosas - é cada vez mais difícil achar os velhos amigos e sempre que os achas, falas dos bons velhos tempos
Sim estamos a ficar velhos mas tivemos uma infancia do caraças!